• A ponta do iceberg

    A Medicina como a entendemos no Ocidente, em geral, não leva em consideração os vários aspectos envolvidos no estado de saúde ou doença. Já as Medicinas milenares Ayurveda e Chinesa sempre souberam da importância e influência dos vários contextos, nos quais os indivíduos estão inseridos, para o seu processo real de cura.

    Vamos partir de um exemplo para analisarmos estes contextos: uma criança que tem asma, que é um processo de bronco constrição bastante acentuado que impede o ar de entrar e sair dos brônquios. Respirar é ser livre, é aceitar a Vida com todos os seus desafios e vivê-la em sua plenitude. A criança que não respira bem tem dificuldade em lidar com a liberdade e tem medo dos desafios. Geralmente oscila entre o autoritarismo e a submissão, não conseguindo atingir o equilíbrio entre eles. Se a causa deste processo não for bem compreendida e tratada adequadamente ela não será curada. Atuar apenas no campo biológico traz um alívio temporário dos sintomas, não resolvendo o problema e logo voltam novamente.

    O indivíduo deve ser tratado de forma integral em seus múltiplos aspectos, dando atenção a cada campo de sua vida, pois todos tem igual importância para o processo de saúde, são eles: biológico, emocional, mental, comportamental, relações sócio afetivas, relações familiares e associadas a ancestralidade, filosófico (crenças limitantes) e espiritual.

    A manifestação no corpo biológico é na verdade a ponta do iceberg. Como é possível curar alguém apenas reprimindo o sintoma que é a última manifestação de todo o processo da doença?

    Voltando ao exemplo da criança com asma, temos que analisar todos os campos de sua vida para detectar onde está a causa e muitas vezes ela é multifatorial. O tratamento do campo biológico pode acontecer, além da forma alopática, por meio de acupuntura e terapias quânticas de reprogramação biológica, não invasivos e sem efeitos colaterais.

    Analisando o campo emocional e afetivo relacionado com o medo de enfrentar a vida, apresentando uma profunda insegurança que gera uma dependência física e emocional, estas pessoas tem dificuldade em ter autonomia e ocupar seu próprio espaço, elas podem ser tratadas com florais, homeopatia, nosódios e indutores frequenciais, por exemplo.

    No campo de relações sócio afetivas estes indivíduos geralmente buscam se relacionar com pessoas autoritárias, fortes e dominantes. Eles se submetem para se proteger. Nesta relação de submissão se sentem sufocados e alimentam o medo da vida e de serem independentes. Levar estas pessoas para participar de um trabalho assistencial pode contribuir muito com a mudança do olhar em relação ao outro e de si mesmo.

    Já no campo familiar, muitas vezes encontram-se pais autoritários, que limitam a liberdade da criança. A relação entre pai e filho é muito importante para a formação saudável da personalidade e caráter, influenciando na forma de se relacionar com o mundo lá fora. O asmático tem dificuldade de lidar com a autoridade dos pais e muitas vezes é necessário fazer uma psicoterapia para ajudar nesta relação. Outro aspecto é a influência da ancestralidade sobre a repetição de padrões comportamentais. Eles devem ser identificados e trabalhados, por exemplo por meio de constelação familiar e assim por diante.

    Então como podemos aceitar que a simples administração de drogas irá curar o indivíduo em toda sua complexidade? Isso não acontecerá, os sintomas serão camuflados e o corpo do iceberg irá crescer cada vez mais.

    A cura de forma definitiva acontecerá se cada campo for cuidado adequadamente. E o aspecto mais importante é a participação ativa do indivíduo neste processo de conscientização e mudança no pensar, sentir e agir.

    Myrella Brasil.

    Publicado dia 08 de junho de 2012, no Diário da Manhã

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