• O nosso segundo cérebro

    A importância dos intestinos é conhecida e reconhecida pelas medicinas milenares, como a Ayurvédica, a Tradicional Chinesa e a Tibetana.

    Os intestinos são reconhecido como um ‘órgão inteligente’ ou ‘segundo cérebro’ por ser o único órgão do corpo humano capaz de executar funções independentemente do sistema nervoso central. Esta autonomia se comprova pela sua habilidade em produzir arcos reflexos – intertransmissão de estímulos entre os neurônios sensoriais (captam os estímulos do meio ambiente e os transmitem aos centros nervosos), associativos (conduzem as informações a serem processadas) e motores (respondem aos estímulos) – que tanto lhes permite captar as informações, como processar e respondê-las. Em outras palavras, os intestinos também pensam, decidem e executam tarefas tal qual um cérebro.

    Qualquer alteração física ou mental se reflete na aceleração ou desaceleração dos movimentos peristálticos – diarréia ou prisão de ventre – cuja cronicidade gera conseqüências desastrosas.

    A diarréia causa desidratação e perda de sais minerais, cuja conseqüência imediata é o desequilíbrio ácido-base; perda da fluidez dos humores (sangue, fleuma, bile amarela e bile negra) dificultando a desintoxicação, nutrição, oxigenação das células e dos humores e controle sobre metabolismo celular; deficiência dos sucos digestivos, promovendo a má digestão, as inflamações intestinais, a permeabilidade da mucosa intestinal, exaustão do sistema imunitário, subnutrição celular, problemas emocionais e mentais, etc.

    Já a prisão de ventre causa fermentação, putrefação e oxidação do bolo alimentar (gases e flatulência); intoxicação do organismo e congestão hepática; disbiose da flora intestinal (desequilíbrio com dominância das bactérias patogênicas); humor descontrolado; ressecamento e acúmulo de fezes nas paredes intestinal, impedindo a absorção dos nutrientes devido ao sufocamento da mucosa, promovendo um ambiente propício à flora disbiótica e aos processos infecciosos e inflamatórios.

    O que acontece quando as paredes do cólon não são sadias? Acontece algo muito perigoso para a saúde: a mucosa se inflama e perde sua impermeabilidade, ou seja, permite que substâncias tóxicas, alguns parasitas e fragmentos de alimento não bem digeridos a atravessem e entrem nos líquidos orgânicos (o sangue e a linfa).
    Tais substâncias nocivas, difundindo-se no organismo inteiro, podem gerar os sintomas mais diversos. A relação inclui enxaquecas e hemicranias crônicas, alergias, acnes e outras doenças da pele, distúrbios da próstata, diverticulite, graves prisões de ventre, prolapsos intestinais, artrites, reumatismos, problemas cardíacos, asma, problemas respiratórios, nódulos das mamas, perda de vitalidade, cansaço, depressão, falta de concentração, agressividade, ataques de pânico, infecções, inflamações, enfraquecimento dos cabelos, parasitoses intestinais que produzem o bruxismo (ranger de dentes noturno) e muitos outros distúrbios.

    Contudo, torna-se estreita a relação entre um sistema digestivo saudável e a sensação de bem estar físico, emocional e psíquico. Na verdade, os intestinos estão intimamente associados as nossas emoções regulando nossa imunidade, funcionando como um órgão inteligente e independente.

    Ao contrário do que se imaginava apenas 10% do hormônio da alegria e bem estar – a serotonina – é produzida no cérebro, os outros 90% são produzidos pelos intestinos, afirma o Dr. Helion Póvoa no seu livro O Cérebro Desconhecido (editora Objetiva):

    Quando analisamos o fato de que o intestino é fundamental na formação da serotonina, nada mais é preciso acrescentar. A alegria e a inteligência emocional, de que tanto precisamos para viver bem, começam realmente a partir do intestino! Por isso só nos resta garantir a esse fantástico órgão matérias-primas de primeira qualidade, o que conseguimos com uma alimentação saudável. Ele, inteligentemente, se encarregará de garantir nossa saúde e felicidade.”

    Então o intestino não é somente um órgão de processamento e excreção de alimentos, mas de processamento e liberação de emoções e também hormônios, funcionando como uma grande glândula endócrina (com 9 metros de comprimento).

    As primeiras evidências desse fato vieram das pesquisas do Dr. Michael D. Gershon, autor do livro O Segundo Cérebro (editora Campus), do Departamento de Anatomia e Biologia Celular da Columbia Univesity Medical Center, em Nova York. Segundo Dr. Gershon, as paredes dos intestinos, estimuladas pela fricção das fibras alimentares, secretam serotonina. Esta por sua vez é o fator de controle do peristaltismo que movimenta o bolo alimentar e as fezes ao longo do trato gastrintestinal. As paredes deste trato são recobertas por uma rede de neurônios diretamente responsáveis pela coordenação de todas as funções digestivas que, embora estejam conectados ao sistema nervoso central, têm total autonomia sobre todas as etapas do processo digestivo.

    A serotonina é a precursora da melatonina, hormônio produzido pela glândula pineal, o centro superior de processamento de informação eletromagnética, bastante conhecido como auxiliar do bom sono. A melatonina é também o antioxidante mais poderoso produzido pelo organismo. Esta dupla dinâmica aumenta a qualidade do sono, a sensação de bem-estar, o otimismo, o bom humor, a capacidade de atenção e de raciocínio. Os pensamentos ficam mais leves e a vida mais prazerosa.

    Por isso, a higiene alimentar e a higienização dos intestinos também são essenciais à prevenção e à reversão dos quadros de distúrbios emocionais e problemas mentais, que aumentam o número de casos a cada dia. A alimentação moderna, com tanto refinados, aditivados e agrotóxicos, pode estar fazendo com que os intestinos adoeçam, e por sua vez gerando uma série de doenças no indivíduo aparentemente sem causas, por exemplo problemas no sistema imunológico, alergias e até mesmo câncer.

    O material tóxico estagnado no intestino quando não eliminado, começa a ser reabsorvido pelo organismo, ocasionado uma auto-intoxicação. Este último pode ser responsável pelo surgimento de diferentes doenças e o aceleramento do processo de envelhecimento.

    Doenças associadas a desequilíbrios intestinais: incrustações fecais; disbiose intestinal; síndrome do intestino irritável; síndrome de hipermeabilidade intestinal; doença celíaca.

    A hidrocolonterapia é indicada para pessoas que sofrem de desequilíbrios intestinais. Esta técnica é uma limpeza completa do cólon (intestino grosso), através de um banho suave com água morna, previamente filtrada e purificada. Trata-se de um procedimento terapêutico – realizado através de um equipamento específico – que envia água sem drogas ou produtos químicos, desde o reto até o apêndice.

    Dentre os benefícios da realização desta técnica estão: normalização do fluxo da evacuação; auxilia no descongestionamento do fígado, que fica sobrecarregado devido ao acúmulo de toxinas que chegam a este por meio da corrente sanguínea; reequilíbrio da flora intestinal; redução da permeabilidade intestinal, uma vez que o aumento possibilita a maior absorção de toxinas.

    Algumas recomendações: tomar uma colher de chá de bicarbonato de sódio e água morna pela manhã; comer alimentos ricos em clorofila, como vegetais de folhas verdes e brotos, crus; fazer a limpeza do fígado com suco limão e alecrim; cortar da dieta doces; evitar alimentos processados; ingerir vitamina C natural; praticar exercícios diários.

    Myrella Brasil

    Publicado dia 05 de julho de 2012, no Diário da Manhã

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