• Pega mal!

    Natal é época de fraternidade, solidariedade e compaixão, os quais são valores já há muito, pregados pelo Mestre Jesus e que deveríamos vivenciá-los principalmente quando comemoramos seu nascimento, mas ao contrario, nos deparamos com um culto ao consumismo desenfreado, superficialidade, mediocridade e ganância, trazendo uma frieza a esta época que deveria ser de muito calor humano.

    Ao passar pelo maior shopping de Goiânia há pouco mais de uma semana, em frente a uma das maiores lojas de eletrodomésticos do Brasil, me deparei com uma cena inacreditável e dolorosa!

    Um grupo de crianças do Cmei – Centro Municipal de Educação Infantil do Município de Goiânia, uniformizadas, de crachás, acompanhadas de suas professoras, fazendo um passeio matutino pelo shopping, ainda quase vazio. Pararam em frente a esta loja, onde ficaram assistindo, por não mais que alguns minutos, aquelas lindas imagens, encantadas com os modernos televisores, quando um segurança do shopping talvez a pedido do gerente da loja falou para a responsável:

    _ Peço que se retirem da frente desta loja.

    Ela respondeu com surpresa:

    _ Por que?

    _ Porque “pega mal”! – disse ele.

    Não acreditei no que ouvi?! O que “pega mal”?! Eles estavam tão bonitinhos, comportados, com os olhinhos brilhando de alegria, em frente aquelas imagens mágicas…

    Fiquei indignada, assim como as professoras e outros que presenciaram a lastimável cena. As crianças, ainda em sua inocência, não perceberam a violência do gesto. As professoras saíram de lá com os olhos cheios de lágrimas, por terem sido privados de usarem o seu direito de ir e vir, num espaço privado porém de caráter público e o pior o de terem sido vítimas de preconceito e de total falta de fraternidade e compaixão!

    Por quê, eu me pergunto?

    Será que se fossem alunos de escola particular, filhos de pessoas ricas, teriam o mesmo tratamento? Somos iguais perante a Constituição Federal!

    Não culpo o segurança do shopping, visto que é um funcionário e cumpre ordens, mas empresas com uma política tão anti-humanista como esta deveriam rever seus conceitos, visto que a classe que tem inflado seus cofres nos últimos anos e feito seus lucros multiplicarem é justamente as classes ditas C, D e E.

    Sempre que um novo ano se aproxima desejamos que ele seja melhor para nós e para aqueles que amamos, mas isso só se torna possível se trouxermos dentro de nós também o melhor!

    A realidade que almejamos experienciar, só depende de nós mesmos, das decisões que tomamos e quem decidimos ser.

    Indivíduos, instituições, empresas que não conseguem ter esta visão, estão fadadas ao fracasso!

    Então procure vivenciar o que “Aquele rapaz simples”, que não teve uma moeda sequer e foi um dos maiores avatares que já passaram pela Terra, disse:

    “Vivencie o Amor com toda sua alma e vencerás as sombras dos teus infortúnios!”

    Assim a paz que tanto buscamos, somente se concretizará, pela vivência das leis do Amor.

    Myrella Brasil
    Publicado dia 20 de dezembro de 2012, no Diário da Manhã 

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