• Um olhar sobre a Saúde

    O Sistema de Saúde está em colapso em todo o país, quiçá no mundo: hospitais públicos e postos de atendimento lotados, pacientes morrendo em filas intermináveis, leitos insuficientes, médicos e enfermeiros insatisfeitos, fazendo greves, planos de saúde cada vez mais caros, oferecendo um serviço de má qualidade, perdendo seus profissionais e também usuários.

    Políticos prometendo melhorias em época de campanha, mas depois esquecendo-se daqueles que os elegeram por suas promessas! Eles deveriam ser obrigados a usar o Sistema Único de Saúde para sentirem a realidade na pele!

    Encontramos profissionais da área da saúde privada com total falta de humanidade ao ponto de agendarem 4 a 8 pacientes para o mesmo horário, fazendo o paciente esperar durante horas para ser atendido. Ele é tratado como apenas um número, pagando uma consulta de 15 minutos, entre R$200,00 a 400,00.

    E mesmo tendo contratado um convênio não encontra médicos “disponíveis”. Estes mesmos médicos credenciados, com total falta de ética, chegam a cobrar até R$ 150,00 para atender o usuário que na verdade não deveria pagar nada a mais pelo atendimento. Não raro, não olham em seu rosto nem por 5 minutos! Não seria de se perguntar se a Saúde não estaria se tornando um “mercado livre”, livre de todo bom senso?

    Na rede pública a situação ainda é mais grave, pois pessoas dormem em filas, procurando atendimentos, esperam meses por exames e cirurgias que muitas vezes não poderiam esperar dias, recebem diagnósticos e tratamentos totalmente equivocados e morrem nesta dolorosa e humilhante saga.

    Depoimentos de profissionais de saúde dizem que preferem não se envolver com os sofrimentos dos pacientes, então buscam uma postura de total frieza e não percebem que perdem uma preciosa chance de exercerem sua profissão em toda sua plenitude, tendo como recompensa o maior de todos os prêmios, a consciência tranquila e o coração transbordando em alegria por ter feito o melhor que podiam para ajudar alguém. Somente quem o faz, sabe o que é este sentimento!

    Não estamos generalizando nem culpando ninguém, sabemos do trabalho valoroso de muitos profissionais, mas apenas alertando e chamando à todos para uma profunda reflexão: Será que estou sendo útil e fazendo tudo ao meu alcance para ajudar? Será que não posso mudar o mundo ao meu redor? A mudança começa em nós mesmos!

    O Dr. Bezerra de Menezes (1831-1900) foi médico, escritor, jornalista, professor , político e empresario, viveu a maior parte de sua vida no RJ, onde estudou e trabalhou.

    No filme-biografia que leva o seu nome, estreado em 2008 e assistido por 3 milhões de brasileiros, vemos o seguinte diálogo verídico:

    Dr. Bezerra atendia à todos e não cobrava nada. Certo dia, seu ajudante de consultório lhe perguntou:

    – Dr. Bezerra, sua família está passando necessidade, por que o senhor não cobra pelo menos um pouco das pessoas?

    E ele respondeu:

    – Como estas pessoas irão pagar, se muitos não tem o que comer?

    O rapaz então perguntou:

    – O que o senhor comeu ontem?

    E Dr. Bezerra respondeu, depois de gaguejar:

    – Nada.

    Então, entraram em acordo, as pessoas pagariam se pudessem, com o que tinham disponíveis.
    E certo dia, ao examinar uma criança, deu a receita para a mãe. Ela chorando disse:
    – Não tenho dinheiro para comprar este remédio, Doutor!

    Dr. Bezerra, tratou de procurar algum dinheiro para lhe dar, mas não encontrou. Então, olhou para seu dedo e viu seu anel de formatura. Não pensou duas vezes, retirou o anel do dedo e deu para a mãe, dizendo:

    – Leve este anel, ele lhe ajudará.

    – Não posso aceitar, Doutor!

    Do que me adianta este anel, se não poderei exercer meu ofício em toda sua plenitude? disse Bezerra

    Este trecho já nos mostra como era a alma de Bezerra, piedosa, generosa, altruísta, caridosa e principalmente amorosa. Por isso recebeu o título de “Médico dos pobres”.

    Ele é sem dúvida um grande exemplo, não só para os médicos como também para todos os profissionais de saúde, bem como para os políticos, jornalistas, professores, etc, visto que em todas estas áreas, ele teve uma ação brilhante e sempre com elevada ética e moral.

    Usou de todos seus ofícios para ajudar seu semelhante. Sempre procurando ser atencioso, honesto, justo e bom! Procuremos seguir seu exemplo, e olhar o sofrimento alheio como uma parte de você mesmo, procurando amenizá-lo.

    Bezerra de Menezes tinha o encargo de médico como verdadeiro sacerdócio. Por isso, dizia: “Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate à porta. Aquele que não socorre por achar-se fatigado ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ou diz a quem chora à porta que procure outro, esse não é medico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse é um infeliz, que manda para outro, o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única esmola que podia saciar a sede de riqueza do seu Espírito, a única que jamais se perderá nos vais-e-vens da vida”.

     
    Myrella Brasil
    Publicado dia 14 de setembro de 2012, no Diário da Manhã

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